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sábado, 4 de janeiro de 2014

Nossa Missão Como Soldados é Destruir Idéias Falsas

 

Por John MacArthur

 
Esta não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se introduziu na igreja. Isso tem acontecido em todas as principais épocas da história da igreja. Batalhas pela verdade têm rugido na comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica que os falsos mestres na igreja logo se tornaram um problema significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho chegasse. Quase todas as principais epístolas do Novo Testamento abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos "falsos apóstolos, obreiros fraudulentos", que se transformavam em apóstolos de Cristo (2 Coríntios 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar. Afinal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformam em ministros de justiça" (w. 14-15).

Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso pode acontecer em nossos tempos. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Timóteo 6.20-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência da re-alidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé.
 
Em sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa realmente uma vitrine maravilhosa de oportunidades para a igreja de Jesus Cristo. A arrogância que dominava a era moderna está em suas agonias de morte. O mundo, na sua maior parte, foi apanhado em desilusão e confusão. As pessoas se sentem inseguras a respeito de quase tudo e não sabem que rumo tomar em busca da verdade.
 
Entretanto, a pior estratégia para ministrar o evangelho num clima assim é os cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade, de modo definitivo, através de seu Filho (Hebreus 1.1-2). E temos, nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem (2 Pedro 1.19-21).
O pós-modernismo é simplesmente a expressão mais atual da incredulidade mundana. Seu valor essencial — uma ambivalência dúbia para com a verdade — não passa de ceticismo destilado em sua essência pura. No pós-modernismo, não existe nada virtuoso nem genuinamente humilde. Ele é uma rebelião arrogante contra a revelação divina.
 
De fato, a hesitação do pós-modernismo no tocante à verdade é a antítese exata da confiança ousada que, segundo as Escrituras, é o direito de família de todo crente (Efésios 3.12). Essa segurança é operada pelo próprio Espírito de Deus naqueles que crêem (1 Tes-salonicenses 1.5). Precisamos valorizar essa segurança e não temer confrontar o mundo com ela.
 
A mensagem do evangelho, em todos os fatos que a constituem, é uma proclamação clara, específica, confiante e autorizada de que Jesus é Senhor e de que Ele dá vida eterna e abundante a todos os que crêem. Nós, que conhecemos verdadeiramente a Cristo e recebemos aquela dádiva da vida eterna, também recebemos da parte dEle uma comissão clara e específica de transmitir com ousadia a mensagem do evangelho, como embaixadores dEle. Se não demonstrarmos igualmente clareza e nitidez em nossa proclamação da mensagem, não seremos bons embaixadores.
 
Mas não somos meros embaixadores. Somos, ao mesmo tempo, soldados comissionados a guerrear em favor da defesa e disseminação da verdade, face aos ataques constantes contra a verdade. Somos embaixadores com uma mensagem de boas-novas para as pessoas que andam em trevas e vivem na região da sombra da morte (Isaías 9.2). E somos soldados — com ordens para destruir fortalezas ideológicas e derrubar as mentiras e enganos engendrados pelas forças do mal (2 Coríntios 10.3-5; 2 Timóteo 2.2-4).
 
Observe atentamente: nossa tarefa como embaixadores é levar as boas-novas às pessoas. Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas. Devemos manter esses objetivos no seu devido lugar; não temos o direito de declarar guerra contra as próprias pessoas, nem de entrar em relacionamentos diplomáticos com idéias anti-cristãs. Nossa guerra não é contra a carne e o sangue (Efésios 6.12); nosso dever como embaixadores não nos permite transigir com qualquer tipo de filosofia humana, engano religioso ou outro tipo de mentira nem a nos alinhar com alguma delas (Colossenses 2.8).
 
Se parece difícil manter essas duas tarefas em equilíbrio e na pers-pectiva adequada, isso acontece porque elas são realmente difíceis.
 
Judas certamente entendeu isso. O Espírito Santo o inspirou a escrever a sua breve epístola a pessoas que estavam lutando com essas mesmas questões. Contudo, ele as exortou a batalharem diligentemente pela fé, contra toda falsidade, ao mesmo tempo que faziam tudo que lhes era possível para livrarem almas da destruição: arrebatando-as "do fogo... detestando até a roupa contaminada pela carne" (Judas 23).
 
Somos, portanto, embaixadores e soldados; procuramos alcançar os pecadores com a verdade, ao mesmo tempo que envidamos todos os esforços para destruir as mentiras e outras formas de mal que os mantêm na escravidão mortífera. Esse é um resumo perfeito do dever de todo cristão na guerra pela verdade.
 
Martinho Lutero, aquele nobre soldado do evangelho, lançou este desafio diante dos cristãos de todas as gerações que o sucederam, ao dizer:
 
Se, com a voz mais elevada e a exposição mais nítida, eu professar toda porção da verdade de Deus, mas não confessar exatamente o pormenor que o mundo e o Diabo estão atacando naquele momento, não estou confessando a Cristo, ainda que esteja professando-0 com ousadia. Onde a batalha ruge, ali é provada a lealdade do soldado. E ficar firme em todos os demais pontos do campo de batalha é mera fuga e vergonha, se o soldado falhar naquele pormenor.
 
 
Fonte: O Calvinismo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O que é Conversão?


Por John Piper


A palavra "conversão" é usada apenas uma vez na Bíblia, em Atos 15.3: Paulo e Barnabé "atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos". Essa conversão abrangia arrependimento e fé, como mostram os outros relatos em Atos.

Por exemplo, em Atos 11.18 os apóstolos responderam ao testemunho de Pedro sobre a conversão dos gentios nesses termos: "Também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida". E em Atos 14.27 Paulo e Barnabé relatam a conversão dos gentios, dizendo que "Deus [...] abrira aos gentios a porta da fé".

Conversão, portanto, é arrependimento (dar as costas ao pecado e à incredulidade) e fé (confiar apenas em Cristo para a salvação). Na verdade trata-se dos dois lados da mesma moeda. Um lado é cauda - dar as costas aos frutos da incredulidade. O outro lado é cabeça - voltar-se diretamente para Jesus e confiar em suas promessas. Não se pode ter um sem o outro, assim como não se pode andar em dois caminhos ao mesmo tempo nem servir a dois senhores.

Isso significa que a fé salvadora em Cristo sempre inclui uma profunda mudança do coração. Não é apenas concordar com a verdade de uma doutrina. Satanás concorda com a verdadeira doutrina (Tg 2.19). A fé salvadora é bem mais profunda e penetrante que isso.


Fonte: John Piper, Em Busca de Deus [a plenitude da alegria cristã], 2008, p. 49

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Fé e Dogma: as Controvérsias Cristológicas da Igreja Antiga


Por Alderi Souza de Matos


Introdução

                A palavra "teologia" desperta reações contraditórias nas pessoas. Para alguns, trata-se de uma atividade não só legítima como indispensável para a Igreja e para os cristãos. Para outros, é algo artificial e condenável, uma produção humana que distorce a revelação de Deus. Tudo de que o crente necessita, dizem eles, é a Palavra de Deus, sem as especulações e os devaneios dos teólogos. Todavia, o fato é que, mesmo sem o saber, todo cristão faz teologia. Essa teologia pode ser boa ou ruim, equilibrada ou tendenciosa, mas todos a fazem. Quando um humilde pregador pentecostal abre a sua Bíblia e começa a interpretá-la, explicá-la e aplicá-la aos seus ouvintes, está fazendo teologia, por mais que desconheça ou deteste essa palavra.


                A teologia não é nada mais, nada menos, que a reflexão acerca das Escrituras e da fé cristã. Uma definição acadêmica diz que ela é "a exposição raciocinada da fé". Como tal, é uma tarefa inevitável da igreja. Uma das razões para isso é a própria riqueza e complexidade das Escrituras e a possibilidade de diferentes entendimentos de muitos de seus textos e ensinos. A Igreja Antiga, ainda nos seus primeiros tempos, defrontou-se com esse desafio. Diante das dissidências internas, ou seja, indivíduos e grupos que faziam interpretações divergentes da mensagem cristã, e dos desafios externos, representados pelos críticos pagãos, os cristãos sentiram a necessidade premente de explicitar e articular de maneira clara e convincente as suas convicções, à luz das Escrituras.


1. Problemas iniciais


                Obviamente, a questão mais central da fé cristã é aquela que diz respeito ao próprio Jesus Cristo. Desde cedo, os cristãos se puseram a refletir intensamente sobre a pessoa e a identidade do Salvador, motivados, inclusive, por considerações apologéticas e missionárias. Era crucial que eles tivessem bastante clareza sobre aquele que havia se tornado o principal ponto de referência de suas vidas. Partindo dos dados bíblicos, especialmente a descrição joanina de Cristo como o Logos ou Verbo (Jo 1.1, 14; 1 Jo 1.1; Ap 19.13), houve o florescimento de uma grande diversidade de concepções, muitas das quais foram consideradas pela Igreja como insatisfatórias ou simplesmente errôneas.


                Entre essas concepções, estavam as que foram englobadas pelo termo "monarquianismo", um grande esforço feito nos séculos segundo e terceiro para preservar, nas discussões sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, uma importante herança recebida pela Igreja do judaísmo - o monoteísmo, ou seja, a afirmação radical da existência de um só Deus. Parecia a muitos cristãos do período que afirmar a divindade do Pai, do Filho e do Espírito era defender o triteísmo, isto é, a existência de três deuses. As diferentes correntes monarquianistas foram classificadas pelos estudiosos em dois grandes grupos.


                O "monarquianismo dinâmico" ou adocionismo negava pura e simplesmente a divindade de Cristo, declarando que Jesus era um mero homem que foi adotado por Deus como filho por ocasião do seu batismo (Mt 3.16-17), sendo revestido pelo poder do Espírito Santo (em grego, "poder" = dynamis, daí dinâmico). Já o "monarquianismo modalista" entendia que Pai, Filho e Espírito Santo eram apenas três "modos" ou manifestações sucessivas do único Deus. Isto é, Deus revelou-se inicialmente como Pai, depois como Filho e finalmente como Espírito Santo. Uma variação dessa corrente, o "patripassianismo", dizia que o próprio Pai sofreu e morreu na cruz. O monarquianismo procurava salvaguardar a unidade de Deus pela negação seja da divindade, seja da personalidade distinta do Filho e do Espírito Santo. Foi rejeitado pela Igreja Antiga devido à convicção de que as suas posições não faziam justiça ao testemunho das Escrituras.


2. A controvérsia ariana


                A realidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo era fundamental para a identidade dos primeiros cristãos desde o dia em que abraçavam a nova fé. No próprio momento do seu batismo, de sua iniciação na vida cristã, essa tríplice realidade era invocada e confessada pelo oficiante e pelo batizando. Vários escritores cristãos dos primeiros séculos fizeram reflexões extremamente penetrantes acerca desse tema, como foi o caso de Irineu de Lião e Tertuliano de Cartago. Mas, foi somente nos séculos quarto e quinto que as discussões teológicas a respeito da "tríade divina" produziram seus frutos mais ricos e duradouros.


                O início do século quarto marcou um dos momentos mais decisivos da história do cristianismo. A adesão do imperador Constantino à fé cristã e o conseqüente Edito de Milão (ano 313) puseram fim a uma longa história de perseguições e deram início a uma história ainda mais longa de ligações entre a Igreja e o Estado. Poucos anos após a ascensão de Constantino, um presbítero de Alexandria, no Egito, chamado Ário, começou a divulgar as suas idéias a respeito de Cristo. Segundo ele, Cristo era muito superior aos seres humanos, mas inferior ao Pai, tendo sido criado por ele antes da existência do mundo. A acirrada controvérsia que se seguiu foi interpretada pelo imperador como um perigo tanto para a unidade da Igreja quanto para a integridade do império. A fim de resolver o problema, ele convocou os bispos cristãos para se reunirem na cidade de Nicéia, perto da capital imperial, Constantinopla, no ano 325.


3. Nicéia e Constantinopla


                O Concílio de Nicéia, o primeiro dos chamados concílios ecumênicos da Igreja Antiga, reuniu cerca de 250 bispos, quase todos da parte oriental ou grega do Império Romano, e representou uma mistura preocupante de agendas políticas e teológicas. Depois de intensos debates, aos quais não faltaram as interferências do monarca, o "arianismo" foi condenado como herético, sendo declarada vitoriosa a posição que defendia a personalidade distinta e a plena divindade de Cristo. O Concílio produziu um famoso Credo cujo ponto culminante foi a declaração de que o Filho era homoousios ou "consubstancial" com o Pai. Todavia, por muitos anos houve fortes resistências contra a "doutrina da trindade" articulada pelos bispos reunidos em Nicéia.


                Foi somente através dos esforços de alguns hábeis teólogos que essa doutrina finalmente veio a encontrar ampla aceitação na região oriental do Império Romano. Quatro deles destacaram-se em especial: Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesaréia, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo, sendo estes últimos conhecidos como "os três capadócios". Em sua argumentação, eles apelaram tanto às Escrituras como à experiência da Igreja. Somente um Cristo que fosse ao mesmo tempo divino e humano poderia ser o verdadeiro e eficaz mediador entre Deus e os homens. Por outro lado, os cristãos desde o princípio aprenderam a exaltar a Cristo, adorá-lo no culto e dirigir orações a ele. Somente um ser divino merecia ser tratado desse modo.


                O triunfo da ortodoxia de Nicéia foi sacramentado no Concílio de Constantinopla (ano 381), novamente no contexto de um importante evento político-religioso - a oficialização do cristianismo católico como a religião do império, no ano 380, pelo imperador Teodósio I. Os bispos reunidos na capital imperial reafirmaram as declarações de Nicéia, esclarecendo melhor alguns pontos obscuros e fazendo uma afirmação explícita da personalidade e divindade do Espírito Santo. O novo credo assim produzido ficou conhecido como Credo "Niceno" ou Niceno-Constantinopolitano.


4. Discutindo as duas naturezas


                Finalmente, na primeira metade do século quinto, uma nova controvérsia abalou a cristandade, dessa vez a respeito da relação entre as duas naturezas de Cristo, a divina e a humana. Duas posições básicas se manifestaram desde o início, representadas essencialmente pelas célebres escolas de interpretação bíblica de Alexandria e Antioquia. Os alexandrinos entendiam que o Verbo divino uniu-se à carne, sendo o Cristo encarnado uma pessoa plenamente integrada. Acentuavam, pois, a unidade da pessoa de Cristo, dando mais ênfase à sua divindade do que à sua humanidade. Desse raciocínio resultaram duas posições que foram eventualmente rejeitadas: o "apolinarismo", segundo o qual Jesus era uma combinação de alma racional divina (o Verbo) e corpo humano, e o "monofisismo", que afirmava que as duas naturezas fundiram-se em uma só, a divina.


                Já os antioquianos entendiam que Cristo tinha tanto uma plena natureza divina quanto uma plena natureza humana. Seu problema estava na tendência de dividir em duas a pessoa de Cristo. O grande defensor dessa posição foi Nestório, o Patriarca de Constantinopla. Ele afirmava com tanta ênfase a distinção das naturezas que parecia ensinar que havia duas pessoas em Cristo, uma divina e outra humana. Essas questões foram tratadas em outros dois concílios ecumênicos. O Concílio de Éfeso (ano 431) condenou o "nestorianismo" e o Concílio de Calcedônia (451) condenou também o apolinarismo e o monofisismo. Este último concílio formulou as suas conclusões na célebre Definição de Calcedônia: "Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e corpo; consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade... Um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação..."


5. Desdobramentos posteriores


                Desde então, esse entendimento da pessoa de Cristo foi amplamente aceito pelos católicos romanos, pelos ortodoxos gregos, e mais tarde pela maior parte dos protestantes. É parte daquilo que se denomina a Fé Cristã Histórica. Todavia, desde aquela época até os nossos dias, têm surgido críticas contra essas formulações doutrinárias da Igreja Antiga, alegando-se desde o uso de terminologia extrabíblica e influências do pensamento grego até as interferências políticas na vida da Igreja. Nos últimos séculos, muitos indivíduos e grupos têm simplesmente negado essas formulações históricas, retrocedendo a antigas posições que foram condenadas pelas mesmas.


                O fato é que, mesmo reconhecendo-se esses problemas e a consideração adicional de que as declarações doutrinárias não são infalíveis, as doutrinas ou dogmas cristológicos da Igreja Antiga, são aceitos pela maioria dos cristãos como uma expressão autêntica da fé bíblica, refletindo de maneira fiel as convicções básicas de incontáveis gerações de seguidores de Cristo. Por limitadas que sejam essas formulações, pois que vazadas em linguagem e categorias de pensamento humanas e condicionadas, elas continuam insuperadas na beleza de seus termos, na profundidade e equilíbrio das suas declarações e no esforço de fazer justiça à totalidade do ensino das Escrituras a respeito de Cristo, sua pessoa e sua obra. Elas reafirmam, em linguagem teológica, a grandiosa mensagem de que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14).


Perguntas para reflexão:
  1. A doutrina cristã de Deus deve ser inteligível, racional, ou simplesmente procurar ater-se ao testemunho das Escrituras?
  2. A pessoa de Cristo foi motivo de controvérsia e escândalo no período antigo e continua a sê-lo hoje. Isso deve preocupar os cristãos?
  3. Que aplicações valiosas e encorajadoras podem ser tiradas da triunidade de Deus?
  4. Se a doutrina do Pai, do Filho e do Espírito Santo precisasse ser repensada hoje, em que direção isso deveria ocorrer?
  5. Quais as conseqüências práticas de se acreditar ou não na divindade de Cristo?
Sugestões bibliográficas:
  • BAILLIE, D. M. Deus estava em Cristo: ensaio sobre a encarnação e a expiação. 2ª ed. Rio de Janeiro: JUERP/ASTE, 1983.
  • BERKOWER, G. C. A pessoa de Cristo. São Paulo: JUERP, 1983.
  • CAMPOS, Heber Carlos de. A pessoa de Cristo: as duas naturezas do Redentor. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
  • McLEOD, Donald. A pessoa de Cristo. Série Teologia Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.
  • WALLACE, R.S. Cristologia. Em ELWELL, Walter A. (Ed.). Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988-1990. Vol. I, p. 381-389.


Fonte: Mackenzie