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segunda-feira, 7 de julho de 2014

5 Coisas que todo homem casado deveria fazer quando em companhia de mulheres solteiras

Por Bryan Van Slyke


Certa vez, um sábio homem me aconselhou que, quando eu estiver reunido com mulheres solteiras, especialmente atraentes ou interessantes, devo mencionar minha esposa e minha família logo no início da conversa. Percebi que esse conselho foi útil em muitas ocasiões. 

Caros maridos companheiros, aprendi o conselho acima, como também outras dicas abaixo listadas, essenciais para manter o meu casamento saudável e forte. Quero que meu casamento seja forte e saudável e você também! Na verdade, é uma das maiores responsabilidades no seu casamento. 

Então, vamos nos aprofundar neste assunto. Em quais situações você se encaixa? Para muitos, isto poderia facilmente acontecer no trabalho. Você poderia estar iniciando em um novo emprego e encontrar-se cercado de mulheres jovens e agradáveis. Se for esse o caso, você precisa escolher entre atrair a atenção delas ou impor-se de forma amigável, mencionando sua bela esposa e família. 

Outros podem estar trabalhando com as mesmas mulheres há mais tempo. Você pode ter optado por envolver-se em flertes ou sair com os colegas de trabalho após o expediente. Se este for o seu caso e sua esposa estiver em casa esperando por você, então é hora de voltar atrás e reavaliar a sua posição como o marido e líder, tomar as medidas necessárias para tornar a sua relação com sua esposa a mais importante e não se esquecer disso. Liderança, senhores, liderança! 

Mesmo que tenham sido apenas alguns rápidos exemplos, sei que alguns precisam intensificar o seu papel de marido. Estes exemplos não se aplicam a você? Então, pense em suas amizades na academia, no supermercado, na padaria, na internet ou em qualquer outro lugar. Estes "simples" locais poderiam produzir relacionamentos difíceis que podem prejudicar tanto o seu relacionamento quanto o seu amor pela sua esposa. Tome coragem e faça o que precisa ser feito para o seu casamento! 

Agora que tenho sua atenção, aqui estão cinco coisas que todo homem casado deve fazer ao encontrar-se em companhia de mulheres solteiras:

1. Mantenha sua aliança no dedo. Há muito poucas exceções quando o anel precisa ser tirado, como ao operar máquinas pesadas, nadar em águas infestadas de tubarões e afins. Se você está prestes a entrar alguma situação que o faça olhar para o seu anel e considerar se você precisa dele no ou não, saia! Corra! Afaste-se! Sério, saia dessa situação; seus votos, casamento, filhos e muito mais dependem dessas decisões importantes. (Leia Lucas 16:10.)

2. Tenha fotos da sua esposa no trabalho. Um homem casado, nessa situação, seria sábio ao escolher um par de grandes e divertidas fotos dele e da sua esposa e mantê-las exibidas em seu escritório ou local de trabalho. Escolha uma situação que tenha sido divertida por dois motivos: você se lembrará porque gosta tanto dela, e será um ótimo assunto para conversa quando em companhia de outras pessoas, especialmente mulheres. Atualize a foto quando necessário, para que as pessoas ao seu redor vejam o crescimento no seu relacionamento. Separe esta foto ainda essa semana e apague o fogo. (Leia o Salmo 119:37.)

3. Mantenha contato simples e breve. Não leia isso da forma errada; não estou dizendo para ser rude. Estou falando para ser cuidadoso para onde viajam seus olhos e por quanto tempo eles viajam quando você está perto de uma mulher atraente. Você sabe que, ao se deter no primeiro olhar, você estará assinando na linha pontilhada para maiores problemas. Mantenha o olhar breve, mantenha-o decisivo e siga em frente. Olhe novamente para a foto em sua mesa. Faça isso! (Leia Mateus 5.28)

4. Mantenha a conversa geral e profissional. Se você trabalha com mulheres solteiras, não há dúvida de que a conversa vai acontecer. Cabe a você como falar com elas. Você pode optar por manter os diálogos curtos e generalizados, pode optar por mantê-los profissionais, ou você pode permitir que a conversa tome rumos que não deveria. Seja educado, mas muito intencional em suas conversas. Se necessário, mais uma vez, esteja sempre pronto para falar sobre a sua esposa ou sua família. Puxe o pino do extintor, mire e extinga a chama. Segurança em primeiro lugar. (Leia Romanos 6:13.)

5. Fale sobre a sua esposa e faça isso com frequência. Já mencionei sobre a importância de falar sobre a sua esposa em suas conversas? Acho que sim, mas esse último tópico solidifica essa idéia. As mulheres solteiras com quem você lida diariamente, não devem ser páreo para a sua esposa e para a sua família. Sua família deve ser a sua primeira prioridade onde quer que você esteja e com qualquer pessoa que se encontre diariamente. Sim, cada dia e todo dia. Seja breve, seja simples e mencione sua linda esposa. Agora dê um tapinha nas suas costas e ânimo. (Leia Efésios 5.25-33)

Nota Importante: Não importa o que você tenha feito em seus relacionamentos atuais com mulheres solteiras, esses passos podem e devem ser iniciados a qualquer momento. Os sentimentos da sua esposa são e sempre serão mais importantes do que os da mulher com quem você precisa dar início a esses passos. Seja firme.

Eu o desafio a dar esses passos de forma confiante, por você, pelo seu casamento e pela sua família. Novamente, é sua a responsabilidade de liderar!

***
Fonte: CharismaMag
Tradução e versão: Carla Ribas

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Loterias e Apostas

Por R. C. Sproul


Pergunta: Existe uma posição bíblica clara contra loterias e jogos em cassinos?

Resposta: Se há uma proibição bíblica explícita e direta contra jogos no cassino ou contra loterias? Não que eu saiba. Entretanto, a igreja cristã tem assumido uma posição consistentemente desfavorável contra os cassinos e loterias, baseada nas implicações de certos princípios teológicos. Por exemplo, na igreja em que fui ordenado ministro, parte de nossa posição confessional é que devemos seguir não apenas o que a Bíblia ensina explicitamente, mas o que pode ser deduzido das Escrituras por inferência clara e necessária. A Bíblia tem princípios claros que se referem a questões como essas. O mais importante, sem dúvida, é o princípio da mordomia, pelo qual sou responsável por agir como mordomo de minhas posses, inclusive minha riqueza e por não ser esbanjador e irresponsável na maneira como gasto meu dinheiro.

O maior problema que tenho com cassinos, e particularmente com loterias, é que eles tendem a ser investimentos muito medíocres, e inevitavelmente exploram os pobres da sociedade. O pobre sonha em melhorar seu bem-estar material. Ele sonha em possuir casa e um bom carro. Sonha em ser libertado das infindáveis e opressivas tarefas do trabalho diário com remuneração muito pequena. Sendo um trabalhador que recebe um pagamento baixo por horas de serviço, ou que depende de um cheque da Previdência Social, ele não terá nunca oportunidade de acumular dinheiro suficiente para construir uma base sólida ou investir no futuro. Sua única possibilidade de conseguir segurança financeira ou melhorar sua situação é apostar nos números e apostar alto nos cassinos. Ele usará seu dinheiro e esperará ganhar o prêmio milionário. Esse é o seu sonho. Mas ele não tem uma compreensão real de como o sistema funciona, e quão grandes são as desvantagens contra ele.

Passamos por essa luta no estado da Pensilvânia quando eu morava lá e todos estavam preocupados com crime organizado e tudo mais. O crime organizado já existia lá. Quando eu era menino, já havia uma loteria na Pensilvânia. Não era estatal, era dirigida pela Máfia, e podia-se comprar um número em quase todas as esquinas de Pittsburgh. O fato que me espantou foi que quando o estado assumiu a loteria para benefício de cidadãos importantes, as dificuldades para ganhar no sistema estatal eram piores do que as que existiam no sistema da Máfia. Portanto vi o estado tirando vantagem do desejo das pessoas de ficarem ricas depressa, e explorando o pobre através dessa terrível forma de investimento.

Pergunta: Qual deveria ser a posição cristã sobre apostas?

Resposta: Quando uma pergunta ética se refere à nossa cultura, é importante tentar respondê-la do ponto de vista dos princípios bíblicos. Se você andar pela rua e perguntar a cem cristãos: "É errado jogar?" Noventa e cinco deles provavelmente responderão de maneira automática: "Sim, sem dúvida". Em outras palavras, as tradições subculturais da comunidade cristã têm se oposto rigorosamente ao jogo e às apostas durantes séculos.

A Bíblia não diz: "Não jogarás". Portanto precisamos ser muito cuidadosos antes de declarar ao mundo que Deus se opõe a todas as formas de jogo. O que dizer sobre investir na bolsa de valores? E sobre investir numa companhia? O que dizer sobre qualquer tipo de investimento de capital? Em todos estes casos você está arriscando o seu dinheiro; todos são formas de jogo. Que diferença faz se você está investindo numa corrida de cavalos ou em ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque? Alguns teólogos fazem uma distinção entre jogo de risco e casos de comércio ou astúcia. Uma coisa é investir o dinheiro numa companhia que eu mesmo vou operar, e cujo sucesso até certo ponto dependerá do meu grau de energia, meu trabalho, minha sabedoria e habilidade; outra coisa é entregar o meu dinheiro numa agência de apostas para ver o que acontece nesse jogo de sorte.

Creio que a questão real a respeito de apostas e loterias estaduais, do ponto de vista bíblico, se centraliza no princípio bíblico da mordomia. Deus nos dá certos recursos, benefícios, talentos e habilidade, e somos responsáveis por usá-los com sabedoria. Deus não é favorável ao desperdício de dinheiro, à falta de cuidado com os bens que Ele nos dá. O grande problema com o jogo é a má mordomia. Numa corrida de cavalos, ou de cachorros ou numa loteria estadual, as desvantagens são tão grandes contra você, especialmente em agências de aposta, que todos representam um mau uso de seu capital de investimento. Nessa altura, eu diria que os cristãos não devem apoiar este tipo de empreendimento.

***
Fonte: R. C. Sproul, Boa Pergunta!, Cultura Cristã, pp. 288-290.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Mistério da Piedade

Por Neil Tolsma


Grande é o mistério da piedade (1Tm 3.16). Os primeiros cristãos reconheceram esse mistério como sendo de importância primordial. Eles estavam de acordo com essa verdade. Mas o que é “o mistério da piedade”?

Paulo define o mistério da piedade citando o que muitos estudiosos acreditam ser um hino que a igreja primitiva cantava como forma confessar e celebrar essa maravilhosa verdade. Em versos notáveis, ele descreve a missão concluída por Jesus Cristo:

Aquele que foi manifestado na carne

foi justificado em espírito,

contemplado por anjos,

pregado entre gentios,

crido no mundo

recebido na glória. (1Tm 3.16)

Descobrindo a Verdadeira Piedade

Paulo prefacia o hino dando seu motivo para escrever: “Escrevo-te estas coisas… para que… fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” (3.14-15). No coração do aconselhamento pastoral de Paulo, encontramos o hino descrevendo o mistério da piedade.

Essa conversa repentina sobre um mistério vem como uma surpresa. Parece uma mudança abrupta no pensamento. Paulo conecta este hino, e então volta para os conselhos práticos.

É como encontrarmos um diamante entre suas ferramentas de uso diário em seu ofício: martelo, chave de fenda, anel de diamante, chave. Um diácono deve ser marido de uma só mulher. Grande é o mistério da piedade. Os falsos mestres virão.

Na verdade, esse hino se encaixa maravilhosamente aqui. Pense desta forma: martelo, chave de fenda, desenho técnico, chave. O objetivo de Paulo é que as pessoas de Timóteo vivam uma “vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (2.2) – uma piedade moldada pela verdade celebrada no hino.

O Que é Piedade?

Piedade pode ser pensada como santidade ou devoção. A linguagem do pacto nos lembra: ser santo como o Senhor nosso Deus é santo. Paulo exorta pela busca de santidade, uma vez que “é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (4.7-8). A Piedade é crucial para a santificação na vida cristã.

Vá a uma igreja cristã hoje e pergunte: “O que significa ser piedoso?”. Você normalmente vai ouvir: “Significa ler a Bíblia, orar e ir à igreja regularmente”.

Contudo, tão importante quanto essas coisas possam ser, elas não são a medida da verdadeira piedade. Em vez disso, Paulo aponta para a vida de Jesus.

Por Que Chamar Isso de Mistério?

Normalmente, ao usarmos a palavra mistério, dizemos: “É um mistério pra mim. Eu não sei nada sobre isso.”

O Novo Testamento dá à palavra um toque diferente. Um mistério na Bíblia é algo que nós não conseguiríamos descobrir por nós mesmos. Outrora oculto, nos foi dado a conhecer por Deus com a vinda de Jesus (Rm 16.25-26; Cl 2.2). É um segredo que se tornou público. Jesus insistiu: “Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus” (Mt 13.11).

Paulo explica que Deus nos deu uma revelação notável sobre a piedade. A referência final e certa do que somos e como vivemos é encontrada na piedade de nosso Salvador. Portanto, Cristo permanece central na confissão da igreja. Sua piedade é honrada pelos anjos adoradores no céu e seguida pelos crentes na terra.

A Mensagem do Hino

Existe uma progressão no hino. Nos movemos por um caminho de contraste e comparação entre dois mundos, este mundo e o próximo, esta época e a que está por vir. O poeta nos leva do terreno para o celestial, e em seguida, do celestial para o terreno, e finalmente do terreno ao celestial. Isto marca a sequência da humilhação do nosso Senhor na primeira linha para sua exaltação na última linha.

A primeira estrofe de duas linhas encapsula o evento de Jesus. Em certo sentido, ela destaca a mensagem do poema.

Ele apareceu em um corpo – ou, foi manifestado na carne. “Carne” aponta para nossa situação humana, para este mundo e para a vida nele. A carne é fraca e temporária. Salmo 90.6 nos lembra: “de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca.”

A verdadeira piedade encontra o seu princípio no Filho de Deus encarnado. Jesus veio “em semelhança de carne pecaminosa” (Rm 8.3). Na carne, ele se humilhou, foi crucificado, e morreu. Nós fomos à sepultura condenados por nossa culpa. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2Co 5:21).

Ele foi vindicado (justificado) pelo Espírito. A sepultura não poderia segurá-lo.

Cristo ressuscitou! Aqui o veredito celestial foi declarado. Ele foi reconhecido pelo próprio Deus como único inocente que pagou o preço do pecado. Ele é o único justificado, vivo no reino do Espírito. Sua humilhação não é uma questão de vergonha, mas uma questão de obediência à vontade do Pai.

A proclamação do evento de Jesus é abordado na segunda estrofe de duas linhas.

Ele foi contemplado por anjos. O amor abnegado do nosso Senhor chamou atenção em todo o cosmo. Até os anjos foram cativados pelo sofrimento e pela consequente glória de Cristo (1Pe 1.11-12).

Por outro lado: Ele foi pregado entre os gentios. O ministério de Jesus não foi testemunhado apenas por anjos, mas foi anunciado publicamente entre as nações. Neste mundo, ele se fez conhecido como o Salvador que foi exaltado pelo Pai depois de ter sido humilhado até a morte pelo seu povo.

O último par de versos descreve a resposta ao evento de Jesus.

Ele foi crido no mundo. Na presente época, muitos vieram a crer nele. Sua vida de autonegação não impactou negativamente o ser recebido por muitos por meio da fé. De fato, sua glória está na cruz de Cristo, pela qual o mundo tem sido crucificado para eles, e eles para o mundo.

A linha de conclusão: Ele foi recebido na glória. “E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6). O triunfo de Jesus na terra está ligado ao seu triunfo no céu. Deus reconheceu a conquista do humilde Salvador e o exaltou grandemente. Os anjos respondem a ele, que é o vitorioso Senhor de glória assentado à direita do Pai: “Digno é o Cordeiro” (Ap 5.12).

Aqui sim você tem o coração piedoso. Na missão de Jesus nosso Salvador, a verdadeira piedade se torna conhecida neste mundo e no próximo. Sua vida de amor condescendente, em humilde doação de si mesmo ao seu povo, em obediência ao Pai, é o resumo da piedade. Escondidos em Cristo, somos capacitados e procuramos viver de acordo com seu exemplo.

O Significado Do Poema

O segredo para piedade é revelado na vida de Jesus e em seus ensinos. Ele ensinou abnegação, com a garantia da bênção celestial: “quem, todavia, perde a sua vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 10.39). Este tema é encontrado em todos os quatro evangelhos. Não é uma ideia aleatória.

Paulo não trata isso de forma casual. Ele enfatizou a mensagem de Jesus em seu próprio ensino. Ao olharmos para o significado do hino, vamos consultar, paralelamente e com mais detalhes, o hino em Filipenses 2.6-11. Aqui Paulo conecta diretamente a piedade de Jesus com a nossa: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (vs. 3-5).

Ele conclui que devemos “Fazer tudo sem murmurações nem contendas” (2.14). Por isso, ele instrui duas mulheres que deixem suas argumentações e “pensem concordemente, no Senhor” (4.2). Piedade significa duas mulheres em Filipos serem reconciliadas pensando humildemente no bem alheio como melhor do que seu próprio bem.

A vida de Jesus fornece o padrão da piedade. A fim de reproduzir a piedade de Cristo em sua vida, você não é obrigado a ser como o fuzileiro que se lança sobre a granada para salvar as vidas de seus amigos. O melhor exemplo é o nosso Salvador inclinando-se para lavar os pés sujos dos discípulos (Jo 13.15).

Pedro considera o exemplo do sofrimento de Cristo e conclui:“sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes… pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança” (1Pe 3.8-9).

Podemos negar a nós mesmos sem medo de perder o benefício. Assim como você vive humildemente pelos outros em meio à violência e confusão da vida cotidiana, esteja certo de que o Pai que sustentou e exaltou Jesus, vai sustentar e honrar você. Você está seguro em Cristo.

Esta é a maravilha do mistério da piedade. Dois mundos estão diante de nós: este mundo de serviço humilde e o da nova criação e das bênçãos eternas. “se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” (Rm 8.17). Celebre isso em obras e cânticos.

***
Tradução: Cleber Filomeno.
Fonte: Reforma 21

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ao Cometer Suicídio, o Cristão Perde a Salvação?

Por Miguel Núñez


Esse tem sido um dos temas mais controversos ao longo dos anos, e que lamentavelmente muitos têm respondido de uma maneira emocional e não através da análise bíblica. Aqueles de nós que crescemos no catolicismo sempre ouvimos que o suicídio é um pecado mortal que irremediavelmente envia a pessoa para o inferno. Para muitos que têm crescido com essa posição, é impossível despojar-se dessa ideia.

Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.

Em essência temos, então, quatro posições:

  1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
  2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
  3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
  4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação. 
A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?
Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio
Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado. A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.

A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.


***

P. S: A cada dia que se passa, cresce o número de suicidas. Não cremos que o suicídio seja a melhor forma de resolver as situações difíceis da vida. Se por acaso esse sentimento lhe perturbe, recomendamos que solicite ajuda pastoral o quanto antes.